Sempre sonhei com a Inglaterra. Sonho. Nunca acreditei nisso, mas quando pisei no Aeroporto de Heathrow senti aquela sensação estranha de realização misturada com medo, este último agravado pela censura na imigração. Mas, com o passar do tempo, a diminuição do temor e a adaptação à saudade me fizeram sentir cada vez mais em casa anquela cidadezinha litorânea que nada tinha a ver comigo, sempre com o desejo da espera pelo jantar ou pela procura, em um dia esporádico da semana, de um pub aberto que transmitisse qualquer evento pela Skysports ou pela falida Setanta. Ainda, nas noites gélidas que eu saía de casa com a roupa de dormir e me encaminhava ao posto telefônico na esquina para dar um alô para casa e ia dar uma volta pelo bairro.
Tudo isso passou infelizmente. Não sei se soube aproveitar cem por cento. Melhor, sei e não soube. Mas, faz diferença? Agora não. Só é estranho sentir saudade de algo que nunca foi realmente seu.
