segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Comunismo Capitalista

Retirado de Terra Invertia

Americana é a primeira mulher a ganhar Prêmio Nobel de Economia

'A americana Elinor Ostrom e o americano Oliver E. Williamson são os ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2009, por causa de suas análises sobre gestão econômica e os limites das empresas, informou nesta segunda-feira o Riksbank da Suécia.(...)'

Esse estudo poderia ter acontecido em meados de 2008, não ?
Mas, deixando a brincadeira de lado, o estudo fala, principalmente, sobre quais são os limites das empresas dentro de um mundo globalizado e como elas podem resolver os conflitos existentes em diversas partes do mundo. E mais, o estudo ainda quebra o paradgima de que propriedades comuns são má administradas. Ostrom provou que não é necessário ser uma empresa multinacional, megaestruturada com headquarter em New York para que saiba lidar com seus próprios recursos e ser sustentável. Seria este, enfim, o encontro de um modo de produção conjunto em que, o bem geral pode, sim, ser considerado rentável e adptado para este mundo das hiper-corporações ?

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Porque eu sei que é amor. Depois de quase sete meses, não consigo ter mais dúvidas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Meme e derivados

Eu não sabia o que era um meme até receber um. Recebi um da Gabi e esta, por sua vez, recebeu de uma amiga, a Anna, a quem os créditos desse Meme devem ser dedicados. O nome "Meme" não faço ideia de onde vem e o motivo dessa simplicidade e ao mesmo complexidade de nome, mas, basicamente, se refere a uma lista de determinada coisa que um blogueiro faz e passa para alguns blogueiros tentando disseminar informações sobre um mesmo tópico por diferentes pessoas. A Anna, quem não conheço mas agora fiquei extremamente interessado em contactar, fez esse ou repassou esse que está aqui embaixo relacionando inúmeros tópicos com livros. Esta é a minha lista.

Livro de Infância: Todos os livros da Série "Os Karas" de Pedro Bandeira

Personagem que queria ser: Dante na "Divina Comédia"

Primeiro livro enorme que lembra de ter lido: “A Divina Comédia” – Dante Alighieri

Filme que ficou melhor do que o livro: "O Pianista" biografia de Wladislaw Szpilman

Livro que te fez sonhar acordada (o): “Toma Sawyer” – Mark Twain

Livro que te fez chorar: "A Menina Que Roubava Livros" - Markus Zusak

Livro que te fez rir: “Comédias da Vida Privada” – Luís Fernando Veríssimo

Livro que mudou a sua vida: "A Divina Comédia". Por causa deste livro comecei a ler como um doido.

Livro que te causou dor: “Relações Perigosas" - Chordelos de Lacros

Livro de cabeceira: “A Divina Comédia - tá ficando chato, eu sei - "Os Trabalhadores do Mar" de Victor Hugo e "O Nome da Rosa" de Umberto Eco

Livro comercialzão: As séries "Harry Potter", os livros de Dan Brown

Querido escritor: Luis Fernando Veríssimo, Dante Alighieri e Victor Hugo

Sente vergonha por não ter lido: A lista é gigantesca mas, basicamente: "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Marquez, "Razão e Sensibilidade" de Jane Austen e "Morte e Vida Severina" de João Cabrla de Melo e Neto

Não suporta: "Diário da Princesa" e afins

Para os apaixonados: “A Divina Comédia" - Dante Alighieri. Eu falo que esse livro é perfeito! O cara atravessa o iferno, o purgatório e o céu para se encontrar com a amada pôxa.

Livro sensual: “O Perfume" - Patrick Süskind

Para quando quiser ficar feliz: “Para Gostar de Ler" - Coleção que reúne o melhor de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca e outros desse calibre.

Para quando faltar esperança: “Dom Quixote de La Mancha” – Miguel de Cervantes - Ele passa o livro inteiro lutando contra moinhos de vento e tentando conquistar a musa Dulcinéia.

Livro que ganhou e nunca leu e nem vai ler: Não sei...Eu ainda sonho em terminar de ler todos os livros que tenho em casa.

Para quando for preciso paciência: “Os Lusíadas" - Luís de Camões

Livro que comprou e nunca leu: “War and Peace" - Leo Tolstoy

Biografia: Adolf Hitler - O Führer

Para garotos: Fernando Sabino, quando se é moleque, tem uma linguagem atraente e que eu me identifiquei logo de cara.

Difícil: “Agosto" - Rubens Fonseca

Para quem gosta de escrever: Platão

Leitura de teatro: “Cyrano de Bergerac" - Edmond Rostand

Conto gostoso de ler: “Pôker Interminável" - Luís Fernando Veríssimo

Não conseguiu terminar: “A Cidade e as Serras" - Eça de Queirós

Está na fila: “Vidas Secas" - Graciliano Ramos, "Os Sertões" - Euclides da Cunha

Livro que daria de presente: É impossível dar um livro sem conhecer a pessoa a quem se dá o livro.

Pérola encontrada nos sebos: A biografia de Charlie Chaplin - 'The Little Tramp"

O que está lendo agora: “Crime e Castigo” – Fiódor Dostoiévski

Eu repassarei esse Meme pro Otávio e pro Lucas. Vamos ver no que dá. Agora, me deu vontade de criar um Meme daquilo que entendo um pouquinho, se sair nos próximos dias, publico aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A volta dos que não foram


E, contra o Náutico no Recife, ela estará de volta. A fase já não está ajudando e ainda vem com essas...

Quando muito é pouco

O ano inteiro vinha desejando férias já que não as tive no fim do ano devido a ida à Inglaterra - não, não fui lá para descansar e nem consegui - e precisava de um descanso depois daquele semestre massacrante cheio de provas, trabalhos, compromissos, cursinho e afins. A pausa chegou e não vai embora. Depois de duas semanas já não conseguia mais suportar a relação tediosa baseada na televisão-livros-estudo-computador.

As aulas reiniciaram e logo no primeiro dia percebi que não eram as férias, mas o contexto todo que me colocava naquele sentimento ranhoso e um tanto quanto modorrento do não querer fazer nada misturado com a inquietação de alguém que procura algo mas não sabe o quê. Agora, penso que sei: um emprego, um pouco de dinheiro, algo para me diferenciar e me destacar. Mudar para qualquer lugar que seja.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A saudade que dá

O fim de férias e o clima gelado me fazem lembrar de um passado que não volta mais. A saudade de uma casa que nunca foi minha e de uma família que não era de verdade. A vontade de uma cidade que não era bela, mas atraía e chamava. De uma vida que era o meu conto de fadas.

Sempre sonhei com a Inglaterra. Sonho. Nunca acreditei nisso, mas quando pisei no Aeroporto de Heathrow senti aquela sensação estranha de realização misturada com medo, este último agravado pela censura na imigração. Mas, com o passar do tempo, a diminuição do temor e a adaptação à saudade me fizeram sentir cada vez mais em casa anquela cidadezinha litorânea que nada tinha a ver comigo, sempre com o desejo da espera pelo jantar ou pela procura, em um dia esporádico da semana, de um pub aberto que transmitisse qualquer evento pela Skysports ou pela falida Setanta. Ainda, nas noites gélidas que eu saía de casa com a roupa de dormir e me encaminhava ao posto telefônico na esquina para dar um alô para casa e ia dar uma volta pelo bairro.

Tudo isso passou infelizmente. Não sei se soube aproveitar cem por cento. Melhor, sei e não soube. Mas, faz diferença? Agora não. Só é estranho sentir saudade de algo que nunca foi realmente seu.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pressão, Pressão, Pressão !

Nós nunca percebemos que estamos crescendo. Isso só acontece quando sofremos algum baque forte. Quando sentamos no banco da frente do carro, quando chegamos ao Ensino Médio ou quando temos nossa primeira vez. Todos estes são sinais inequívocos de que a vida está passando e tudo está ficando para trás. O próximo passo, no momento, é o Vestibular.

Não será fácil, nunca será na verdade. A dúvida ronda a cabeça de quase todos que conheço e a pressão pela escolha correta aumenta a cada dia que passa. E se eu escolher errado? E se a faculdade não for tudo isso que eu penso? E se eu não passar na USP?

A pior parte de tudo isso é quando a pressão não vem só dos pais, mas sim quando ela vem de você mesmo ou dos próximos. Não é agradável, não é desejável e não é recomendável. Parece que o mundo vai passando e se preparando enquanto você está ali parado tentando relaxar um pouco nas suas férias em seu ritmo lento e dosado de estudos. Mas é impossível.

sábado, 11 de julho de 2009

Viva a moda!


Diagnóstico: Modinha útil;

Agente infeccioso
: Todos aqueles que acham o orkut uma exclusividade nacional inútil;

Sintomas: Grandes eventos ocorrendo pela nova forma social de comunicação - como o Muricy rejeitando o Palmeiras

Entreguei-me. Na noite deste sábado, depois de relutar e achar que não servia para nada, resolvi aderir a moda do Twitter. As manifestações contra as fraudes nas eleições no Irã e contra os massacres nas províncias separatistas chinesas já haviam chamado minha atenção para a nova ferramenta de comunicação social. Como o orkut já estava ficando meio caído, o Twitter chegou em boa hora.

Tudo começou quando meu irmão estava no quarto e tocava músicas dos JONAS BROTHERS - sim, meu irmão me decepciona e ouve isso sem a menor vergonha na cara - e, enquanto fazia um chat - exatamente isso, com a webcam ligada, violão na mão, pensando que é um astro do rock(?!) adolescente - para suas amigas JONAS e eu entrei na onda. Comecei a cantar, fazer graça, quase um Programa do Jô. Quando eu menos esperava, via as meninas comentando, rindo e dizendo sobre ele e sobre mim. Peguei, tentei cantar Strokes com ele, óbvio que não saiu, e aí elas caíram na risada.

Resolvi sair de lá e twittar. Viva a tecnologia!

domingo, 28 de junho de 2009

Brasil Argentino

Diagnóstico: Time de futebol que foge aos seus preceitos históricos;
Agente infeccioso: Anão mudo do filme da Branca de Neve;
Sintomas:Cruzamentos na área, ataque dependente e zagueiros se destacando(!)

Futebol bonito? Trocas de passes envolventes? Dribles rápidos e desconcertantes? Esqueça, enquanto Dunga for treinador da Seleção isso jamais ocorrerá. Hoje, contra os Estados Unidos, o Brasil reposicionou-se sobre a condição de favorito ao título em primeiro plano - Itália e Espanha demonstraram falhas, argentinos e ingleses andam em momento de transição e os alemães são irregulares - mas se só resultados fossem suficientes não haveria imprensa e corneteiros, como o próprio autor do texto.

Dunga dá sorte nas substituições e pode até ter seu mérito na conquista da Copa das Confederações (que vale pouquíssima coisa, quase nada), mas é claro que os jogadores mandam taticamente no jogo. Dunga entregou aos seus comandados o manche e, percebe-se, nisso, a união desta equipe. Tomara que o Brasil conquiste, enfim, o Hexa, mas, neste torneio que consolidou Dunga no comando da Amarelinho que com Kaká, Robinho, Júlio César e Lúcio até personagem de desenho animado vira coisa para se acreditar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Acabou

Este é um post atrasadíssimo que veio em hora errada e momento errado. Deveria ter chegado há, pelo menos, umas duas semanas atrás. Mas logo que voltei a minha rotina, assim definida, as coisas se estabeleceram e meu gosto pela escrita arrefeceu. Não que se passou, mas esfriou, da mesma forma que tinha de comunciar as pessoas daqui como estava passando lá. As coisas simplesmente se reestabeleceram de forma inimaginável para mim. Claro, tudo tem seu lado bom e ruim e venho experimentando ambos nessas semanas em que retornei.

Enfim, venho cá para agradecer a todos que leram esse blog e se divertiram, deram algumas risadas ou simplesmente sonharam um pouco após ver toda essa epopéia idealizada. O objetivo era esse, fazer as pessoas acreditarem um pouco. Não me alongarei, termino aqui um trabalho de dois meses muito bem aproveitados com alguns objetivos para o ano que começa e com a certeza de que, em pouco tempo, inaugurarei novo blog.

O show está só começando.

Acabou

Este é um post atrasadíssimo que veio em hora errada e momento errado. Deveria ter chegado há, pelo menos, umas duas semanas atrás. Mas logo que voltei a minha rotina, assim definida, as coisas se estabeleceram e meu gosto pela escrita arrefeceu. Não que se passou, mas esfriou, da mesma forma que tinha de comunciar as pessoas daqui como estava passando lá. As coisas simplesmente se reestabeleceram de forma inimaginável para mim. Claro, tudo tem seu lado bom e ruim e venho experimentando ambos nessas semanas em que retornei.

Enfim, venho cá para agradecer a todos que leram esse blog e se divertiram, deram algumas risadas ou simplesmente sonharam um pouco após ver toda essa epopéia idealizada. O objetivo era esse, fazer as pessoas acreditarem um pouco. Não me alongarei, termino aqui um trabalho de dois meses muito bem aproveitados com alguns objetivos para o ano que começa e com a certeza de que, em pouco tempo, inaugurarei novo blog.

O show está só começando.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

26/01/09 - Lá de Cima

Falar sobre o British Museum, a Oxford Circus, as três principais linhas de metrô fechadas que cancelaram minha ida ao Tate Modern, a plataforma 9 ¾ - aquela do Harry Potter – hoje soa como pouco.
Não vou me estender muito. Quero falar de como é ver uma megalópole do alto. Não tão alto quanto de um avião, onde é impossível distinguir algumas de suas mais belas feições, mas não ao nível do asfalto onde tem se uma visão limitada pelos prédios.
Desejei muito sobre Londres. Pelo menos um dos meus anseios do post anterior foi realizado: o céu estava claro e límpido, ao menos no sábado. Isto me possibilitou uma vista fantástica da London Eye e de dentro dela. Isso mesmo,subi na London Eye. Aquela roda gigante tão imponente e ao esmo tempo graciosa me proporcionou ver o Thames ao longe e o Parliament de cima. Tive tanta sorte que até estrelas e Lua estavam no céu. A subida é lenta, mas rápida. Contradição? Nenhuma. Tudo depende apenas do ponto de vista. Olhando de baixo, do chão, a escalada rumo ao topo parece um suplício temeroso. Os grandes compartimentos em que subimos parecem até balançar. Para aumentar um pouco a tensão, naquela mesma manhã, a London Eye tinha quebrado! Por cerca de uma hora as pessoas ficaram lá em cima, impossibilitadas de descerem e apreciando a vista de uma cidade sem limites. Mas o desespero deve ter sido gigantesco. A compra do ingresso demorou mais do que esperava, mas sem alguma desorganização. Se existe uma coisa da qual os ingleses podem bater no peito se orgulharem é das regras e organização que são seguidas por todos. Entretanto a educação e a limpeza...
Rodamos o dia todo sem um rumo específico. O rumo, sabíamos, era alcançar o cume do céu de Londres guiados pela roda-gigante. Saímos da estação Waterloo e andamos um pouco em direção ao London Eye, quando passavam das sete da noite e o céu já estava, há tempos, turvado de negro. Comecei a sentir o que nos esperava quando avistei aquela bola gigantesca toda iluminada. A minha barriga chiou, minhas pernas estremeceram e uma interjeição mal educada soltei. Não ia desistir do vôo – é assim que eles chamam o passeio.
Aproximamo-nos e vi a nossa gaiola com o número 20 marcado. Pelo menos não era o 13. Começamos a subir vagarosamente e tudo que via era um rio acima de mim, mas de acordo com a subida as coisas vão ficando mais calmas. Não sei se é porque o rio se distancia ou se porque temos mais com o quê prestar atenção, mas fiquei tranqüilo. Diferentemente da Luana e de um francês, que sofre de medo de altura e subiu na roda gigante pela segunda vez. Talvez enviado pelo seu respectivo psicólogo. Não existe outra explicação mais lógica. Ou menos tonta.
Não consegui transcrever aqui um décimo do que foi essa experiência, como diria Marco Bianchi, embasbacante. Queria fotos e vídeos, mas, a mineira esperta, levou o cabo da minha câmera para casa e ficou impossível mostrar aqui um pouquinho do que foi lá. Amanhã talvez eu tente. Amanhã dia de pub night.

26/01/09 - Lá de Cima

Falar sobre o British Museum, a Oxford Circus, as três principais linhas de metrô fechadas que cancelaram minha ida ao Tate Modern, a plataforma 9 ¾ - aquela do Harry Potter – hoje soa como pouco.
Não vou me estender muito. Quero falar de como é ver uma megalópole do alto. Não tão alto quanto de um avião, onde é impossível distinguir algumas de suas mais belas feições, mas não ao nível do asfalto onde tem se uma visão limitada pelos prédios.
Desejei muito sobre Londres. Pelo menos um dos meus anseios do post anterior foi realizado: o céu estava claro e límpido, ao menos no sábado. Isto me possibilitou uma vista fantástica da London Eye e de dentro dela. Isso mesmo,subi na London Eye. Aquela roda gigante tão imponente e ao esmo tempo graciosa me proporcionou ver o Thames ao longe e o Parliament de cima. Tive tanta sorte que até estrelas e Lua estavam no céu. A subida é lenta, mas rápida. Contradição? Nenhuma. Tudo depende apenas do ponto de vista. Olhando de baixo, do chão, a escalada rumo ao topo parece um suplício temeroso. Os grandes compartimentos em que subimos parecem até balançar. Para aumentar um pouco a tensão, naquela mesma manhã, a London Eye tinha quebrado! Por cerca de uma hora as pessoas ficaram lá em cima, impossibilitadas de descerem e apreciando a vista de uma cidade sem limites. Mas o desespero deve ter sido gigantesco. A compra do ingresso demorou mais do que esperava, mas sem alguma desorganização. Se existe uma coisa da qual os ingleses podem bater no peito se orgulharem é das regras e organização que são seguidas por todos. Entretanto a educação e a limpeza...
Rodamos o dia todo sem um rumo específico. O rumo, sabíamos, era alcançar o cume do céu de Londres guiados pela roda-gigante. Saímos da estação Waterloo e andamos um pouco em direção ao London Eye, quando passavam das sete da noite e o céu já estava, há tempos, turvado de negro. Comecei a sentir o que nos esperava quando avistei aquela bola gigantesca toda iluminada. A minha barriga chiou, minhas pernas estremeceram e uma interjeição mal educada soltei. Não ia desistir do vôo – é assim que eles chamam o passeio.
Aproximamo-nos e vi a nossa gaiola com o número 20 marcado. Pelo menos não era o 13. Começamos a subir vagarosamente e tudo que via era um rio acima de mim, mas de acordo com a subida as coisas vão ficando mais calmas. Não sei se é porque o rio se distancia ou se porque temos mais com o quê prestar atenção, mas fiquei tranqüilo. Diferentemente da Luana e de um francês, que sofre de medo de altura e subiu na roda gigante pela segunda vez. Talvez enviado pelo seu respectivo psicólogo. Não existe outra explicação mais lógica. Ou menos tonta.
Não consegui transcrever aqui um décimo do que foi essa experiência, como diria Marco Bianchi, embasbacante. Queria fotos e vídeos, mas, a mineira esperta, levou o cabo da minha câmera para casa e ficou impossível mostrar aqui um pouquinho do que foi lá. Amanhã talvez eu tente. Amanhã dia de pub night.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

23/01/09 - Quase Mais do Mesmo

Post rápido e curto.

As coisas em Eastbourne enfim começaram a se parecer com o que elas realmente eram idealizadas. Chove todo dia pela manhã. A tarde o Sol aparece tímido, aquele que não deixa rosa nem a branquela mais sensível aos raios do astro-rei. As noites vêm sendo muito bonitas e as estrelas estão lá em cima sob um mar que impressiona quando o Sol cai. O que não veio mais foi neve. As temperaturas subiram e agora estão em agradabilíssimos, acreditem em mim, seis graus Celsius.

O comportamento das pessoas me comprova uma Paris muito mais apta e receptiva. Pelo menos assim foi comigo. Relatos de outras pessoas podem contradizer minha opinião sob o Paraíso Cultural Francês na Terra dos Humanos, mas não consigo entender, e cada dia menos tento entender, como o povo daqui consegue ser tão avesso aos estrangeiros. E isso não ocorre só contra nós latinos, mas asiáticos também não são muito bem-vindos. O que eles gostam é de americano e europeus. Do Leste, só se a menina for bonitinha e o nível de inglês razoável. Digo tudo isso após presenciar três confusões entre grupos estrangeiros e locais em um período de uma semana.

Xenofobia rolando solta.

Amanhã Londres me espera e, mesmo debaixo de chuva, vamos ver se conseguem apagar aquela imagem de frieza e cinza. Torcer para que o metrô não quebre, as ruas não encham e os moradores e atendentes sejam educados.

23/01/09 - Quase Mais do Mesmo

Post rápido e curto.

As coisas em Eastbourne enfim começaram a se parecer com o que elas realmente eram idealizadas. Chove todo dia pela manhã. A tarde o Sol aparece tímido, aquele que não deixa rosa nem a branquela mais sensível aos raios do astro-rei. As noites vêm sendo muito bonitas e as estrelas estão lá em cima sob um mar que impressiona quando o Sol cai. O que não veio mais foi neve. As temperaturas subiram e agora estão em agradabilíssimos, acreditem em mim, seis graus Celsius.

O comportamento das pessoas me comprova uma Paris muito mais apta e receptiva. Pelo menos assim foi comigo. Relatos de outras pessoas podem contradizer minha opinião sob o Paraíso Cultural Francês na Terra dos Humanos, mas não consigo entender, e cada dia menos tento entender, como o povo daqui consegue ser tão avesso aos estrangeiros. E isso não ocorre só contra nós latinos, mas asiáticos também não são muito bem-vindos. O que eles gostam é de americano e europeus. Do Leste, só se a menina for bonitinha e o nível de inglês razoável. Digo tudo isso após presenciar três confusões entre grupos estrangeiros e locais em um período de uma semana.

Xenofobia rolando solta.

Amanhã Londres me espera e, mesmo debaixo de chuva, vamos ver se conseguem apagar aquela imagem de frieza e cinza. Torcer para que o metrô não quebre, as ruas não encham e os moradores e atendentes sejam educados.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

20/01/09 - Paris II e a New Age

Parei ontem na igreja do Quasimodo. O objetivo era deixar o pessoal um pouco mais apreensivo e ansioso para ver como os fatos se desenrolavam além, claro, que eu não podia perder um jogo de futebol como Liverpool x Everton estando aqui. Mas retornemos ao que esse blog é proposto há.

Saí de Notre Dame perdido com as outras duas também perdidas. Não sabíamos muito mais o que fazer, por mais incrível que isso possa parecer. As opções eram vastas, porém ninguém tinha muitas idéias já que a tarde caía e deveriam nos encontrar com o resto do grupo as margens do Sena às sete e meia da noite.Conversamos, passamos vontade olhando os crepes sendo produzidos, embarcamos na estação Cite e decidimos que iríamos em direção ao Invalides. Este lugar, não muito famoso em Paris, mas um dos mais bonitos, ficava próximo a Torre Eiffel e de fácil acesso caso nós nos perdêssemos. Fomos e nos vimos perante uma magnificente obra prima da arquitetura em forma de prédio. Ali, segundo diz a história e o nosso guia Gerry, me corrijam se eu estiver errado, por favor, foi um palácio que Napoleão mandou erguer para ser sua casa. O nome, Hotel dês Invalides, que quer dizer exatamente isso que você imaginou, Hotel dos Inválidos, não parece ter alguma expressão lógica. Na sua frente é possível ver muitos canhões, alinhados, como se fosse uma fortaleza, além de jardins lindos. Por dentro, a estrutura é como se fosse a de um quadrado, uma fortaleza protegida por todos os lados. Outro dos lugares onde não esperava ver tanta beleza. A nossa retirada, após descansar as pernas falando besteira e jogando conversa pro ar sentados nos muros dos Inválidos, foi para a Torre Eiffel e andando por vielas charmosíssimas que nos levavam até o grande ponto turístico.
As seis da tarde um sono badalou e a Torre se iluminou. Ali sim pude ver sua toda a sua forma, delineada por aquelas curvas amarelo-ouro que mostravam o que não tinha visto ainda. O dia escurecia lentamente, mas já não era mais possível ver a luz do sol e, imponente, no centro da Ilê-de-France, ela reinava. Me encantei à segunda vista, se é que isso é possível, e sentados nos jardins opostos ao Sena, tirei fotos e imaginei aquela oportunidade toda e tudo que aquilo me representava. Esperei o tempo passar até que pudesse chegar o momento de um cruzeiro no Sena. A idéia parece um pouco de girico, ainda mais com o frio beirando os 0 Celsius e a minha mala cheia nas costas em um rio que não pode ser conhecido por sua extrema beleza e suas águas límpidas. Porém, estava em Paris, precisava aproveitar tudo aquilo que podia e, passear no Sena, era uma dessas coisas que eu me arrependeria de fazer. Depois de esperar na fila por mais de trinta minutos e enfrentar um vento razoável me vi dentro daquele barco, fechado em cima por vidros e que não me transmitia à essência de estar em Paris e, ainda mais, viajando pelo rio. Resolvi sair, deixei minha poltrona, sentei do lado de fora do barco, em sua lateral, entre dois casais, um de italianos outro de espanhóis. A viagem começou e, enquanto as coisas passavam me lembrava de tudo e via o quanto aquilo era bonito, para não dizer romântico e amoroso. Sozinho, entretanto, é algo muito mais que te força a um exercício de memória do que apreciável, apesar da paisagem ser linda e as pessoas te acenarem das margens, desejando ‘Bon voyage’ e afins. A volta, foi melhor, pois a Torre estava como antes, porém, com a diferença das luzes estarem piscando, proporcionando um show pirotécnico em Paris. Naquele exato momento descobri o por quê do título de cidade das luzes.

Até que enfim o ônibus nos esperava e o hotel também. O nome, Premiere Classe, não mentia ao que o estabelecimento representava, mas a distância do centro da cidade assustou. Passamos a noite bem, alimentados por uma pizza que, com muito esforço, poderia ser julgada como razoável e um banho não mais que pouco morno. Bem mesmo fiquei depois de saber da goleada do Timão e como as coisas se encaminham para quando eu estiver de volta. Quem precisa de Ronaldo quando se tem Souzaço e o maestro Douglas? Acordamos sem a mínima vontade de acordar, mas, espertamente, o café da manhã foi a maior refeição do dia. O guia Gerry nos informou que, como não iríamos para Versailles com eles – segui os conselhos do Marcão, ainda mais depois de ver o mau tempo que predominava em Paris – deveríamos nos encontrar na estação da Sacré-Coeur, próximo ao Moulin Rouge e de todos os cancans parisienses. Além disso, ele me mostrou o ‘metrô’ e direcionou-me, junto com as meninas, o que deveríamos fazer caso nos perdêssemos novamente, apesar dele não ter nem reparado a nossa ausência no dia anterior.

Andamos ao metrô de Genervilles e lá encontramos não um metrô no real significado, mas uma estação de RER. Como disse no post anterior, os RERs servem as áreas mais afastadas de Paris, transportando a população menos abastada para o centro, onde trabalham, e depois retorná-los à suas devidas habitações. O problema era que estávamos tão longe, só depois descobrimos que Genervilles era a última estação de sua linha, que o atendente do guichê disse a Nathália: ‘ Então vocês querem ir para Paris?’ Absurdamente, isso mesmo, estávamos fora do perímetro da cidade. Mas não era algo como Guarulhos. Era muito mais afastado. O RER, apesar de não ser o conforto e o luxo em sua primariedade, serviu nos bem, apesar de um certo temor, misturado a preconceito, quando um grupo de árabes entrou no mesmo vagão que nós e começou a conversar alto.
Descemos assim que chegou nossa estação e em menos de dez minutos estávamos no Louvre. O centro da cultura e intelectualidade francesa onde estão reunidas mais belas, e importantes, pinturas e esculturas do mundo, incluindo a Gioconda, também conhecida vulgarmente como Mona Lisa. E ela sim foi a única decepção que tive em Paris. O que você imagina deste quadro que é o mais famoso da história? Gigantesco? Imponente? Atraente? Esqueça qualquer um desses conceitos superlativos. Ela não tem absolutamente nada disso. É um quadro pequeno, insosso e que, se não representasse toda a história de uma geração e de um mestre, não teria grande importância. Além do que existe um grande desperdício de espaço. Aquela pintura com não mais de um metro de altura por sessenta ou setenta centímetros de largura, me corrijam novamente caso haja erro, ocupava toda uma parede na galeria Richelieu do Louvre enquanto outros quadros muito maiores e expressivos ficavam espremidos. Excetuando isso, a vista ao Louvre é mágica e pode durar dias se você for alguém paciente e realmente interessado pela arte em todas as suas formas. É possível ver Picasso, Degas e muito da história francesa sendo contada ali, como os quadros da coroação de Josephine e a batalha ganha por Napoleão onde ele, por sua já sabida excentricidade, toma toda a cena com sua figura ao centro da tela. As esculturas também são uma boa pedida, reunindo história romana, grega e egípcia em grande quantidade e qualidade. É possível ver de Zeus à Vênus de Milo ou tumbas de inúmeros Faraós. Depois de três horas de arte nos cansamos um pouco e o tempo era pouco para ver muito.
À vontade da Luana e, porque não, também nossa, fomos aos Jardins de Luxemburgo. Chegando lá, numa estação colada a de Montparnasse, uma avenida bonita, comercial, mas que não oferece muito mais do que lojas, me impressionei com a estrutura do local. Segundo a conhecedora Nathália aquela é a praia de parisiense, quase um Hyde Park para os londrinos ou o Ibirapuera para nós paulistanos. Naquele parque se destaca a escultura de uma cabeça gigantesca moldada em um material que lembra bronze, mas que não poderia definir só olhando. Além disso, um lago grande reúne as pombas mais insolentes que já vi em frente ao Senado francês. Tudo muito arrumado, estrutura impressionante que reúne banheiros, quadras de tênis, quiosques e parquinhos para crianças. Curiosidade interessante e engraçada: lembram daquele brinquedo, o trepa-trepa? Formada com estruturas metálicas em que a criança se dependura até de ponta cabeça e os pais vão a loucura? Então, nos Jardins Luxemburgueses a armação é em forma de Torre Eiffel. Isso é o que eu chamo brincar com classe.

Não achamos um quiosque que vendesse crepes então tivemos que começar o fim da nossa viagem indo para a estação de Anvers. Chegando lá subimos uma rua que reunia grande quantidade de lojas de souvenires, muita gente e uma ladeira. Alguma semelhança com a Porto Geral é apenas coisa da minha cabeça e coincidência. Chegando ao fim da rua é possível avistar, no alto da Montmartre, a igreja da Sacré-Coeur. Ante de subi-la tive que comer um crepe e uma baguete de presunto e queijo suíço, treinando meu ‘farto’ francês, para comprovar que fui à França a mim mesmo. As escadarias da Sacré-Coeur são extensas e demoradas, mas eu fui na corrida porque não queria ‘perder’ muito tempo. Ao chegar no topo tive a visão de Paris por completo, com todos os seus ângulos. Uma visão linda e esta, realmente, inesquecível. Desci sem antes ser abordado por vendedores ambulantes de miniaturas de Torre Eiffel que eu recusei e segui meu rumo. Sentei um pouco, refleti e desci em direção ao ônibus, tendo a certeza de que a minha vista a mais uma das cidades do mundo tinha sido o melhor possível. E prometendo retorno.
______________________________________________________
E o que tem a ver o tal do New Age do título? Bem, vamos as explicações.
Hoje vi, pela televisão na BBC 1, a posse do homem mais poderoso do mundo. Obama parece ter caráter, feições atraentes e um tanto quando diferenciadas para um político que não fica só na básica prolixidade e demagogia. Ele tem idéias interessantíssimas, como a retirada mais breve possível das tropas americanas do Iraque, e teria tudo para se consagrar como um dos melhores presidentes da história. Mas temo por ele.
Não sou analista político e nem tenho condições para tal, mas o peso que jogaram nas costas do senhor Barack é maior que o mundo. Ele terá de resolver os problemas que assolam o mundo devido à crise econômica, botar um fim no preconceito étnico – odeio a palavra racial, além de concertar os subseqüentes erros cometidos pelo governo de seu antecessor. A expectativa é grande, mas ele é um homem só para um mundo que passa por um momento dificílimo. A frase que ele disse, ontem, era mais ou menos assim: ‘Como podemos salvar o mundo? Basicamente, todas as pessoas teriam que fazer o que o piloto do avião que caiu no Hudson semana passada fez: executar seus trabalhos de forma digna e a melhor possível. Se todos assim o fizerem, o mundo, sem dúvida alguma, será um lugar muito melhor e eu não terei grande influência nisso’. Obama está corretíssimo, mas seis bilhões de pessoas esperam um comportamento diferente dele. O que virá nos próximos quatro anos só o tempo dirá, porém ele sabe que assumiu em um momento delicado onde ele terá de ser muito mais que comandante da nação, mas reconciliador, mestre – ainda sendo aprendiz, semeador da paz e agregador de povos. Sem que isso manche a soberba americana. Tarefa dificílima, não?

20/01/09 - Paris II e a New Age

Parei ontem na igreja do Quasimodo. O objetivo era deixar o pessoal um pouco mais apreensivo e ansioso para ver como os fatos se desenrolavam além, claro, que eu não podia perder um jogo de futebol como Liverpool x Everton estando aqui. Mas retornemos ao que esse blog é proposto há.

Saí de Notre Dame perdido com as outras duas também perdidas. Não sabíamos muito mais o que fazer, por mais incrível que isso possa parecer. As opções eram vastas, porém ninguém tinha muitas idéias já que a tarde caía e deveriam nos encontrar com o resto do grupo as margens do Sena às sete e meia da noite.Conversamos, passamos vontade olhando os crepes sendo produzidos, embarcamos na estação Cite e decidimos que iríamos em direção ao Invalides. Este lugar, não muito famoso em Paris, mas um dos mais bonitos, ficava próximo a Torre Eiffel e de fácil acesso caso nós nos perdêssemos. Fomos e nos vimos perante uma magnificente obra prima da arquitetura em forma de prédio. Ali, segundo diz a história e o nosso guia Gerry, me corrijam se eu estiver errado, por favor, foi um palácio que Napoleão mandou erguer para ser sua casa. O nome, Hotel dês Invalides, que quer dizer exatamente isso que você imaginou, Hotel dos Inválidos, não parece ter alguma expressão lógica. Na sua frente é possível ver muitos canhões, alinhados, como se fosse uma fortaleza, além de jardins lindos. Por dentro, a estrutura é como se fosse a de um quadrado, uma fortaleza protegida por todos os lados. Outro dos lugares onde não esperava ver tanta beleza. A nossa retirada, após descansar as pernas falando besteira e jogando conversa pro ar sentados nos muros dos Inválidos, foi para a Torre Eiffel e andando por vielas charmosíssimas que nos levavam até o grande ponto turístico.
As seis da tarde um sono badalou e a Torre se iluminou. Ali sim pude ver sua toda a sua forma, delineada por aquelas curvas amarelo-ouro que mostravam o que não tinha visto ainda. O dia escurecia lentamente, mas já não era mais possível ver a luz do sol e, imponente, no centro da Ilê-de-France, ela reinava. Me encantei à segunda vista, se é que isso é possível, e sentados nos jardins opostos ao Sena, tirei fotos e imaginei aquela oportunidade toda e tudo que aquilo me representava. Esperei o tempo passar até que pudesse chegar o momento de um cruzeiro no Sena. A idéia parece um pouco de girico, ainda mais com o frio beirando os 0 Celsius e a minha mala cheia nas costas em um rio que não pode ser conhecido por sua extrema beleza e suas águas límpidas. Porém, estava em Paris, precisava aproveitar tudo aquilo que podia e, passear no Sena, era uma dessas coisas que eu me arrependeria de fazer. Depois de esperar na fila por mais de trinta minutos e enfrentar um vento razoável me vi dentro daquele barco, fechado em cima por vidros e que não me transmitia à essência de estar em Paris e, ainda mais, viajando pelo rio. Resolvi sair, deixei minha poltrona, sentei do lado de fora do barco, em sua lateral, entre dois casais, um de italianos outro de espanhóis. A viagem começou e, enquanto as coisas passavam me lembrava de tudo e via o quanto aquilo era bonito, para não dizer romântico e amoroso. Sozinho, entretanto, é algo muito mais que te força a um exercício de memória do que apreciável, apesar da paisagem ser linda e as pessoas te acenarem das margens, desejando ‘Bon voyage’ e afins. A volta, foi melhor, pois a Torre estava como antes, porém, com a diferença das luzes estarem piscando, proporcionando um show pirotécnico em Paris. Naquele exato momento descobri o por quê do título de cidade das luzes.

Até que enfim o ônibus nos esperava e o hotel também. O nome, Premiere Classe, não mentia ao que o estabelecimento representava, mas a distância do centro da cidade assustou. Passamos a noite bem, alimentados por uma pizza que, com muito esforço, poderia ser julgada como razoável e um banho não mais que pouco morno. Bem mesmo fiquei depois de saber da goleada do Timão e como as coisas se encaminham para quando eu estiver de volta. Quem precisa de Ronaldo quando se tem Souzaço e o maestro Douglas? Acordamos sem a mínima vontade de acordar, mas, espertamente, o café da manhã foi a maior refeição do dia. O guia Gerry nos informou que, como não iríamos para Versailles com eles – segui os conselhos do Marcão, ainda mais depois de ver o mau tempo que predominava em Paris – deveríamos nos encontrar na estação da Sacré-Coeur, próximo ao Moulin Rouge e de todos os cancans parisienses. Além disso, ele me mostrou o ‘metrô’ e direcionou-me, junto com as meninas, o que deveríamos fazer caso nos perdêssemos novamente, apesar dele não ter nem reparado a nossa ausência no dia anterior.

Andamos ao metrô de Genervilles e lá encontramos não um metrô no real significado, mas uma estação de RER. Como disse no post anterior, os RERs servem as áreas mais afastadas de Paris, transportando a população menos abastada para o centro, onde trabalham, e depois retorná-los à suas devidas habitações. O problema era que estávamos tão longe, só depois descobrimos que Genervilles era a última estação de sua linha, que o atendente do guichê disse a Nathália: ‘ Então vocês querem ir para Paris?’ Absurdamente, isso mesmo, estávamos fora do perímetro da cidade. Mas não era algo como Guarulhos. Era muito mais afastado. O RER, apesar de não ser o conforto e o luxo em sua primariedade, serviu nos bem, apesar de um certo temor, misturado a preconceito, quando um grupo de árabes entrou no mesmo vagão que nós e começou a conversar alto.
Descemos assim que chegou nossa estação e em menos de dez minutos estávamos no Louvre. O centro da cultura e intelectualidade francesa onde estão reunidas mais belas, e importantes, pinturas e esculturas do mundo, incluindo a Gioconda, também conhecida vulgarmente como Mona Lisa. E ela sim foi a única decepção que tive em Paris. O que você imagina deste quadro que é o mais famoso da história? Gigantesco? Imponente? Atraente? Esqueça qualquer um desses conceitos superlativos. Ela não tem absolutamente nada disso. É um quadro pequeno, insosso e que, se não representasse toda a história de uma geração e de um mestre, não teria grande importância. Além do que existe um grande desperdício de espaço. Aquela pintura com não mais de um metro de altura por sessenta ou setenta centímetros de largura, me corrijam novamente caso haja erro, ocupava toda uma parede na galeria Richelieu do Louvre enquanto outros quadros muito maiores e expressivos ficavam espremidos. Excetuando isso, a vista ao Louvre é mágica e pode durar dias se você for alguém paciente e realmente interessado pela arte em todas as suas formas. É possível ver Picasso, Degas e muito da história francesa sendo contada ali, como os quadros da coroação de Josephine e a batalha ganha por Napoleão onde ele, por sua já sabida excentricidade, toma toda a cena com sua figura ao centro da tela. As esculturas também são uma boa pedida, reunindo história romana, grega e egípcia em grande quantidade e qualidade. É possível ver de Zeus à Vênus de Milo ou tumbas de inúmeros Faraós. Depois de três horas de arte nos cansamos um pouco e o tempo era pouco para ver muito.
À vontade da Luana e, porque não, também nossa, fomos aos Jardins de Luxemburgo. Chegando lá, numa estação colada a de Montparnasse, uma avenida bonita, comercial, mas que não oferece muito mais do que lojas, me impressionei com a estrutura do local. Segundo a conhecedora Nathália aquela é a praia de parisiense, quase um Hyde Park para os londrinos ou o Ibirapuera para nós paulistanos. Naquele parque se destaca a escultura de uma cabeça gigantesca moldada em um material que lembra bronze, mas que não poderia definir só olhando. Além disso, um lago grande reúne as pombas mais insolentes que já vi em frente ao Senado francês. Tudo muito arrumado, estrutura impressionante que reúne banheiros, quadras de tênis, quiosques e parquinhos para crianças. Curiosidade interessante e engraçada: lembram daquele brinquedo, o trepa-trepa? Formada com estruturas metálicas em que a criança se dependura até de ponta cabeça e os pais vão a loucura? Então, nos Jardins Luxemburgueses a armação é em forma de Torre Eiffel. Isso é o que eu chamo brincar com classe.

Não achamos um quiosque que vendesse crepes então tivemos que começar o fim da nossa viagem indo para a estação de Anvers. Chegando lá subimos uma rua que reunia grande quantidade de lojas de souvenires, muita gente e uma ladeira. Alguma semelhança com a Porto Geral é apenas coisa da minha cabeça e coincidência. Chegando ao fim da rua é possível avistar, no alto da Montmartre, a igreja da Sacré-Coeur. Ante de subi-la tive que comer um crepe e uma baguete de presunto e queijo suíço, treinando meu ‘farto’ francês, para comprovar que fui à França a mim mesmo. As escadarias da Sacré-Coeur são extensas e demoradas, mas eu fui na corrida porque não queria ‘perder’ muito tempo. Ao chegar no topo tive a visão de Paris por completo, com todos os seus ângulos. Uma visão linda e esta, realmente, inesquecível. Desci sem antes ser abordado por vendedores ambulantes de miniaturas de Torre Eiffel que eu recusei e segui meu rumo. Sentei um pouco, refleti e desci em direção ao ônibus, tendo a certeza de que a minha vista a mais uma das cidades do mundo tinha sido o melhor possível. E prometendo retorno.
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E o que tem a ver o tal do New Age do título? Bem, vamos as explicações.
Hoje vi, pela televisão na BBC 1, a posse do homem mais poderoso do mundo. Obama parece ter caráter, feições atraentes e um tanto quando diferenciadas para um político que não fica só na básica prolixidade e demagogia. Ele tem idéias interessantíssimas, como a retirada mais breve possível das tropas americanas do Iraque, e teria tudo para se consagrar como um dos melhores presidentes da história. Mas temo por ele.
Não sou analista político e nem tenho condições para tal, mas o peso que jogaram nas costas do senhor Barack é maior que o mundo. Ele terá de resolver os problemas que assolam o mundo devido à crise econômica, botar um fim no preconceito étnico – odeio a palavra racial, além de concertar os subseqüentes erros cometidos pelo governo de seu antecessor. A expectativa é grande, mas ele é um homem só para um mundo que passa por um momento dificílimo. A frase que ele disse, ontem, era mais ou menos assim: ‘Como podemos salvar o mundo? Basicamente, todas as pessoas teriam que fazer o que o piloto do avião que caiu no Hudson semana passada fez: executar seus trabalhos de forma digna e a melhor possível. Se todos assim o fizerem, o mundo, sem dúvida alguma, será um lugar muito melhor e eu não terei grande influência nisso’. Obama está corretíssimo, mas seis bilhões de pessoas esperam um comportamento diferente dele. O que virá nos próximos quatro anos só o tempo dirá, porém ele sabe que assumiu em um momento delicado onde ele terá de ser muito mais que comandante da nação, mas reconciliador, mestre – ainda sendo aprendiz, semeador da paz e agregador de povos. Sem que isso manche a soberba americana. Tarefa dificílima, não?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Paris I

O nome soa pomposo. E é. Entretanto Paris é muito mais do que lojas caras, beleza a cada canto e pessoas bem vestidas falando francês e namorando ao pé da Torre Eiffel ou a beira do Sena. Paris é múltipla de todas as culturas e todos os tipos de pessoas que pode se imaginar. Infinitamente mais que Londres. As coisas na cidade das Luzes, por menores e mais insignificantes que sejam, tem um significado e parecem remeter a algo. Paris é absurda. A minha história e impressão terminou assim, mas vamos mostrar o que me levou a estes pontos de vista.

Sai de casa na sexta-feira ansioso, coração pulsando mais rápido que o normal e imaginando o que me esperaria do outro lado do Canal da Mancha. Nunca tive grande vontade de conhecer a França, mas já que estava aqui mesmo faria esse esforço (pff). Cheguei mais cedo do que o combinado em frente ao McDonald’s na Terminus Road, avenida principal de Eastbourne. Ai, em cima do tempo agendado, minhas duas companheiras de viagem, Nathália e Luana, me encontraram e o medo começou. O coach que nos levaria não aparecia. Onde estava a tal pontualidade britânica? Depois de vinte minutos de tensão e espera apareceu uma van Volkswagen que tranqüilizou-nos e levou-nos até o ônibus que esperava na saída de Eastbourne. Passamos em Brighton com este ônibus onde, por volta de, cinqüenta pessoas entraram e o ônibus ficou cheio. A nossa sorte era o último banco onde a noite parecia ser mais tranqüila e fácil de passar – entenda-se dormir. A chegada até Folkestone, onde o Eurotunnel começa, foi rápida mas suficiente para um cochilo. Chegando lá, pensei em imigração e aquela lenga-lenga que demoraria para atravessarmos. Nada disso. Nenhum oficial ou embaraço. Nada. Entramos no famoso e curiosíssimo, mas chato, Eurotunnel. É como viajar dentro de um compartimento de cargas. O ônibus entrou no trem, onde as portas ficam trancadas e não pode sair ou ‘viajar’ por entre os ‘vagões’ se é que assim podem ser chamados. Durante quarenta minutos aquele trem balançava e a sensação enjôo não foi pequena, mas quando desembarcamos do outro lado tudo ficou melhor ao ver a placa com a inscrição Calais. A partir daí, com o relógio adiantado em uma hora, não sei de muito mais pois dormi o que podia e o que os desconfortáveis bancos me permitiam.

Até que abri os olhos novamente. Uma imagem que nunca irei esquecer apesar de não ser tão especial para quem lê-la. Eram, por volta, de quatro e meia da madrugada e eu vi uma luz ao meu lado, esfreguei os olhos e com uma sensação de dejá-vu reconheci. O Stade de France, Saint-Dennis, onde a França ganhou a Copa de 1998 e o símbolo de orgulho dos Bleus. Sorri, percebi que estava em Paris, e comecei a apreciar a paisagem que me deu uma sensação de conforto e verossimilhança com a minha terra natal. Sim, por incrível que pareça, antes de chegar na Ilê-de-France, o centro de Paris, a cidade é muitíssimo parecida com São Paulo. Não sei o que meu deu, mas a saudade de casa me invadia ao mesmo tempo que a felicidade. Continuamos nossa jornada até que o ônibus parou. Não entendi a parada, era um dos únicos acordados, mas logo olhei para trás. O que vi foi absolutamente uma das coisas mais espetaculares. Ali, imponente, ao meu lado, estava o Arco do Triunfo. Não vou me apegar a detalhes ou passado, nem explicarei o porquê dele existir, mas sei que as cinco da manhã daquele sábado minha ficha caiu por completo de que estava em Paris. Ele é muito mais bonito e impetuoso do que se imagina. Chama muito mais atenção além de estar no coração de Paris, abrindo as portas para a Champs-Elysées.

Foi difícil voltar ao ônibus depois de ver toda aquela beleza imaginada e só vista em televisão, cartões-postais e sonhos. Voltei ao meu assento e começamos a rodar a cidade, as cinco da madrugada, com as ruas vazias. Passamos por todos os pontos turísticos possíveis, mas como voltei a eles mais tarde, não vale agora comentar muito. Até que chegamos a Torre. O dia amanhecia e a neblina era intensa e mesmo assim foi possível vê-la e sorrir novamente. Não me impressionou a primeira vista como o Arco o tinha feito, mas detinha uma certa beleza. A ignorância a sua presença, ali, ao meu lado, durou poucos minutos até o céu se abrir e sairmos do ônibus, começando a sessão turista com fotos em todos os ângulos e todas as poses que a Torre poderia me proporcionar. Começava ali meu verdadeiro tour por Paris naquele sábado.
Saindo de lá andamos em direção oposta a da Torre onde ficava localizada a prefeitura de Paris e onde boa parte das fotos que se vê da Eiffel são tiradas. Mais tempo para exercer meu lado de bom turista impressionado e com fotos. Um detalhe importante: o número de ambulantes nas ruas com pequenos exemplares do ponto turístico mais famoso impressiona. O que mais impressiona, entretanto, sem nenhuma visão racista por favor, é a quantidade de negros e árabes nas ruas parisienses vendendo estes souvenires e se expressando em todos os idiomas possíveis. Comigo eles tentaram apenas o espanhol e o português, citando, claro, Ronaldo a Robinho. Tenho, por acaso, cara de argentino?

Dali fui conhecer o metrô de Paris. A estação era a de Trocadéro, uma das mais famosas, e percebi que as coisas ali não eram como São Paulo ou Londres. O meio de transporte mais comum mostra uma estrutura precária mas, ao mesmo tempo, eficiente. Apesar dos descuidos com a aparência e limpeza das estações – já perceberam que esse não é forte do europeus, não é? - as coisas funcionam e se locomover pela cidade é tão ou mais fácil que em Londres. Com 14 linhas de metrô e mais algumas de RER, um tipo de trem que serve as zonas mais afastadas da cidade, é possível chegar em qualquer ponto sem demorar muito, mas, antes, é necessário um tipo de planejamento. De Trocadéro descemos na estação Franklin D. Roosevelt aos pés do Arco que, desta vez, a luz do dia, não me impressionou tanto. Com todos famintos, por comida ou compras – não o meu caso, claro – a Champs-Elysées era um convite atraente. Das lojas da Lamborghini as agências do Banco do Brasil tudo parece ter um toque chique. Fomos ao McDonald’s já que pagar muito em comida no meu primeiro dia não era o objetivo principal. Depois de dois hambúrgueres puros, voltamos agora a outra estação de Metrô, George V, e nos destinamos ao Louvre. Rapidamente, eu e as duas companheiras de viagem, decidimos que deixaríamos o museu para o dia seguinte e, tiraríamos, no máximo, fotos nas pirâmides invertidas. Justamente isso fizemos e o episódio mais engraçado aconteceu. Sentamos numa parte interna do e ao mesmo externa do Louvre. Não sei explicar o nome, talvez a Nathália saiba. Sentados, vimos um brasileiro e ele pediu para tirarmos uma foto. Tiramos e pedimos que o memso fosse feito para nós. O brasileiro, educadamente, retribuiu o favor. Olhamos para o lado e cadê o guia? Cadê o grupo? Nos perdemos em Paris! Ficamos ali, na praça do Louvre esperando pelo Garry e os latino-americanos, mas nada. Decidimos explorar Paris por nós mesmos e pela herança genética da semi-francesa Nathália.

Andamos. Andamos bastante. O bastante para margear o Sena e ver uma manifestação pró-Palestina acontecer. O suficiente para ver uma verdadeira faceta de Paris, mais uma humana e menos maquiada que também me encantou. Estava me apaixonando cada vez mais pela cidade.

Chegamos a Notre Dame. A igreja também impressiona por sua imponência e beleza sóbria. É muito diferente de muito do que se vê. Não pode ser comparada a Catedral da Sé, mas, se a modéstia francesa permitisse e se eu não fosse xingado, diria que ali senti, novamente, um pouquinho de casa. A concentração de gente na praça é gigantesca. Uma Bósnia e um grupo de estudantes franceses vieram nos pedir doação. Não demos porque doar em Euro é muito mais caro e para uma causa que realmente não conheço. Entramos na igreja e a riqueza de detalhes é próxima da perfeição. Realmente uma casa de Deus. Diferentemente de outras igrejas da Europa, por exemplo a Saint Paul em Londres, não existia nenhuma necessidade de pagar para entrar ou um clima de ponto turístico. Notre Dame realmente era uma igreja e ponto turístico, mas que preservava sua essência de templo católico. Saí dali feliz em conhecer aonde o Quasimodo fez história e onde muitos reis, rainhas e história existiram.

(Fim da Primeira Parte – A história é longa e requer pensar, analisar e relembrar. Além do que o clássico de Liverpool vai começar agora)

Paris I

O nome soa pomposo. E é. Entretanto Paris é muito mais do que lojas caras, beleza a cada canto e pessoas bem vestidas falando francês e namorando ao pé da Torre Eiffel ou a beira do Sena. Paris é múltipla de todas as culturas e todos os tipos de pessoas que pode se imaginar. Infinitamente mais que Londres. As coisas na cidade das Luzes, por menores e mais insignificantes que sejam, tem um significado e parecem remeter a algo. Paris é absurda. A minha história e impressão terminou assim, mas vamos mostrar o que me levou a estes pontos de vista.

Sai de casa na sexta-feira ansioso, coração pulsando mais rápido que o normal e imaginando o que me esperaria do outro lado do Canal da Mancha. Nunca tive grande vontade de conhecer a França, mas já que estava aqui mesmo faria esse esforço (pff). Cheguei mais cedo do que o combinado em frente ao McDonald’s na Terminus Road, avenida principal de Eastbourne. Ai, em cima do tempo agendado, minhas duas companheiras de viagem, Nathália e Luana, me encontraram e o medo começou. O coach que nos levaria não aparecia. Onde estava a tal pontualidade britânica? Depois de vinte minutos de tensão e espera apareceu uma van Volkswagen que tranqüilizou-nos e levou-nos até o ônibus que esperava na saída de Eastbourne. Passamos em Brighton com este ônibus onde, por volta de, cinqüenta pessoas entraram e o ônibus ficou cheio. A nossa sorte era o último banco onde a noite parecia ser mais tranqüila e fácil de passar – entenda-se dormir. A chegada até Folkestone, onde o Eurotunnel começa, foi rápida mas suficiente para um cochilo. Chegando lá, pensei em imigração e aquela lenga-lenga que demoraria para atravessarmos. Nada disso. Nenhum oficial ou embaraço. Nada. Entramos no famoso e curiosíssimo, mas chato, Eurotunnel. É como viajar dentro de um compartimento de cargas. O ônibus entrou no trem, onde as portas ficam trancadas e não pode sair ou ‘viajar’ por entre os ‘vagões’ se é que assim podem ser chamados. Durante quarenta minutos aquele trem balançava e a sensação enjôo não foi pequena, mas quando desembarcamos do outro lado tudo ficou melhor ao ver a placa com a inscrição Calais. A partir daí, com o relógio adiantado em uma hora, não sei de muito mais pois dormi o que podia e o que os desconfortáveis bancos me permitiam.

Até que abri os olhos novamente. Uma imagem que nunca irei esquecer apesar de não ser tão especial para quem lê-la. Eram, por volta, de quatro e meia da madrugada e eu vi uma luz ao meu lado, esfreguei os olhos e com uma sensação de dejá-vu reconheci. O Stade de France, Saint-Dennis, onde a França ganhou a Copa de 1998 e o símbolo de orgulho dos Bleus. Sorri, percebi que estava em Paris, e comecei a apreciar a paisagem que me deu uma sensação de conforto e verossimilhança com a minha terra natal. Sim, por incrível que pareça, antes de chegar na Ilê-de-France, o centro de Paris, a cidade é muitíssimo parecida com São Paulo. Não sei o que meu deu, mas a saudade de casa me invadia ao mesmo tempo que a felicidade. Continuamos nossa jornada até que o ônibus parou. Não entendi a parada, era um dos únicos acordados, mas logo olhei para trás. O que vi foi absolutamente uma das coisas mais espetaculares. Ali, imponente, ao meu lado, estava o Arco do Triunfo. Não vou me apegar a detalhes ou passado, nem explicarei o porquê dele existir, mas sei que as cinco da manhã daquele sábado minha ficha caiu por completo de que estava em Paris. Ele é muito mais bonito e impetuoso do que se imagina. Chama muito mais atenção além de estar no coração de Paris, abrindo as portas para a Champs-Elysées.

Foi difícil voltar ao ônibus depois de ver toda aquela beleza imaginada e só vista em televisão, cartões-postais e sonhos. Voltei ao meu assento e começamos a rodar a cidade, as cinco da madrugada, com as ruas vazias. Passamos por todos os pontos turísticos possíveis, mas como voltei a eles mais tarde, não vale agora comentar muito. Até que chegamos a Torre. O dia amanhecia e a neblina era intensa e mesmo assim foi possível vê-la e sorrir novamente. Não me impressionou a primeira vista como o Arco o tinha feito, mas detinha uma certa beleza. A ignorância a sua presença, ali, ao meu lado, durou poucos minutos até o céu se abrir e sairmos do ônibus, começando a sessão turista com fotos em todos os ângulos e todas as poses que a Torre poderia me proporcionar. Começava ali meu verdadeiro tour por Paris naquele sábado.
Saindo de lá andamos em direção oposta a da Torre onde ficava localizada a prefeitura de Paris e onde boa parte das fotos que se vê da Eiffel são tiradas. Mais tempo para exercer meu lado de bom turista impressionado e com fotos. Um detalhe importante: o número de ambulantes nas ruas com pequenos exemplares do ponto turístico mais famoso impressiona. O que mais impressiona, entretanto, sem nenhuma visão racista por favor, é a quantidade de negros e árabes nas ruas parisienses vendendo estes souvenires e se expressando em todos os idiomas possíveis. Comigo eles tentaram apenas o espanhol e o português, citando, claro, Ronaldo a Robinho. Tenho, por acaso, cara de argentino?

Dali fui conhecer o metrô de Paris. A estação era a de Trocadéro, uma das mais famosas, e percebi que as coisas ali não eram como São Paulo ou Londres. O meio de transporte mais comum mostra uma estrutura precária mas, ao mesmo tempo, eficiente. Apesar dos descuidos com a aparência e limpeza das estações – já perceberam que esse não é forte do europeus, não é? - as coisas funcionam e se locomover pela cidade é tão ou mais fácil que em Londres. Com 14 linhas de metrô e mais algumas de RER, um tipo de trem que serve as zonas mais afastadas da cidade, é possível chegar em qualquer ponto sem demorar muito, mas, antes, é necessário um tipo de planejamento. De Trocadéro descemos na estação Franklin D. Roosevelt aos pés do Arco que, desta vez, a luz do dia, não me impressionou tanto. Com todos famintos, por comida ou compras – não o meu caso, claro – a Champs-Elysées era um convite atraente. Das lojas da Lamborghini as agências do Banco do Brasil tudo parece ter um toque chique. Fomos ao McDonald’s já que pagar muito em comida no meu primeiro dia não era o objetivo principal. Depois de dois hambúrgueres puros, voltamos agora a outra estação de Metrô, George V, e nos destinamos ao Louvre. Rapidamente, eu e as duas companheiras de viagem, decidimos que deixaríamos o museu para o dia seguinte e, tiraríamos, no máximo, fotos nas pirâmides invertidas. Justamente isso fizemos e o episódio mais engraçado aconteceu. Sentamos numa parte interna do e ao mesmo externa do Louvre. Não sei explicar o nome, talvez a Nathália saiba. Sentados, vimos um brasileiro e ele pediu para tirarmos uma foto. Tiramos e pedimos que o memso fosse feito para nós. O brasileiro, educadamente, retribuiu o favor. Olhamos para o lado e cadê o guia? Cadê o grupo? Nos perdemos em Paris! Ficamos ali, na praça do Louvre esperando pelo Garry e os latino-americanos, mas nada. Decidimos explorar Paris por nós mesmos e pela herança genética da semi-francesa Nathália.

Andamos. Andamos bastante. O bastante para margear o Sena e ver uma manifestação pró-Palestina acontecer. O suficiente para ver uma verdadeira faceta de Paris, mais uma humana e menos maquiada que também me encantou. Estava me apaixonando cada vez mais pela cidade.

Chegamos a Notre Dame. A igreja também impressiona por sua imponência e beleza sóbria. É muito diferente de muito do que se vê. Não pode ser comparada a Catedral da Sé, mas, se a modéstia francesa permitisse e se eu não fosse xingado, diria que ali senti, novamente, um pouquinho de casa. A concentração de gente na praça é gigantesca. Uma Bósnia e um grupo de estudantes franceses vieram nos pedir doação. Não demos porque doar em Euro é muito mais caro e para uma causa que realmente não conheço. Entramos na igreja e a riqueza de detalhes é próxima da perfeição. Realmente uma casa de Deus. Diferentemente de outras igrejas da Europa, por exemplo a Saint Paul em Londres, não existia nenhuma necessidade de pagar para entrar ou um clima de ponto turístico. Notre Dame realmente era uma igreja e ponto turístico, mas que preservava sua essência de templo católico. Saí dali feliz em conhecer aonde o Quasimodo fez história e onde muitos reis, rainhas e história existiram.

(Fim da Primeira Parte – A história é longa e requer pensar, analisar e relembrar. Além do que o clássico de Liverpool vai começar agora)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

14/01/09 - O Velho Reino da Dinamarca

Aqui estamos nós novamente! Não sei até que ponto foi sentida a minha falta nas postagens deste blog contando histórias de temperaturas congelantes ou do castelo do Harry Potter que não era nada mais do que uma modesta igreja em Oxford. Parando de enrolação e iniciando o que realmente interessa tentarei resumir ao máximo, sem perder qualidade, os meus últimos dias.

Iniciando pelo começo, como já diria um famoso ex-presidente do Corinthians, o sábado foi onde deixei de postar minhas aventuras. Então vou recordar aquela manhã absurdamente gelada na cidadezinha de Chatham. A viagem de ônibus demorou as exatas duas horas previstas e a chegada foi sob uma temperatura que beirava os -4 Celsius em plena luz do dia, dez da manhã. A partir dali fomos conhecer a cidade e o que ela mais tem a oferecer: a história de Charles Dickens. Para aqueles que não conhecer, Dickens foi um dos maiores escritores da história da Grã-Bretanha, sendo autor do clássico mais representado em todas as televisões na época de Natal e Novo Ano, Oliver Twist, além da história do famoso mágico David Copperfield. Ele, Charles, claro, viveu uma parte de sua vida aqui em Eastbourne e uma casa na chamada Old Town ostenta uma placa que reverencia a passagem do senhor Dickens pela animada e turística Eastbourne. Mas voltando à Chatham, lá fomos visitar um espaço que pode ser confundido entre espaço e teatro onde representa-se a história do supracitado Oliver. Mas a história não é simplesmente contada com atores, mas sim com o cenário idealizado por Dickens que compõe toda a história de Oliver Twist, um garoto que representa a astúcia e a superação perante as dificuldades e as mazelas da vida – pelo menos essa deve ter sido a intenção inicial do escritor. Depois disto tudo, aí sim num verdadeiro teatro, pode-se ter a incrível visão da vida de Charles Dickens sendo contada por bonecos de cera perfeitamente moldados com as características de alguns dos seus mais famosos personagens. Apesar do show ser um pouco desanimado, a qualidade da montagem dos bonecos e a sonorização são absurdamente acima da expectativa para uma atração cultural de uma cidadezinha. Voltar para Eastbourne foi sem dúvida a melhor escolha pois o frio voltava a apertar e o dia seguinte prometia ser bom. Prometia.

Acordei cedo. Cedíssimo. Às 6 da manhã de um domingo com temperaturas próximas das vistas no dia anterior, me agasalhei da melhor forma possível para agüentar o frio e a distância da viagem até Oxford, onde estaria em uma das cidades mais esperadas já que é lá onde acontece a vida educacional britânica e de onde saíram as melhores cabeças do Reino Unido, quisá do mundo. Desta vez o traslado foi rápido e demorou quase a metade do tempo previsto. Chegamos lá por volta das nove e meia quando muitos foram no McDonald’s e outros na Starbucks para tomar um café, segundo eles descente. Começamos a conhecer a cidade onde nada estava aberto e nenhum museu foi possível visitar. A expecatitiva de visitar a Christ Church, onde foram gravadas algumas cenas dos filmes do Harry Potter também foi frustrada inicialmente. Passamos então, duas horas e meia esperando por nada. Ou melhor, por um grupo de brasileiros que vinha de Cambridge para nos encontrar no templo da inteligência britânica. Ali vimos, aí sim, a tal da Christ Curch que de nada impressionou. A visão da sala comunal foi tão irreal e sem nexo como qualquer quadro abstrato onde não se vê nenhuma semelhança com aquilo que se conhece. Outro lugar esperado eram os campos internos da Igreja onde forma gravadas cenas das partidas de quadribol. Como dizem por aqui, rubbish. Nada de parecido. Nada que me fizesse colocar um foto no blog para que vocês tentassem reconhecer. O melhor mesmo era a Igreja que reunia muita história e muita beleza. Por isso, esta merece uma foto.


Depois de tanta lembrança em dois dias voltei para Eastbourne para passar os próximos estudando e foi isso mesmo que fiz, sem antes, claro, me frustrar com a derrota do NY Giants nos playoffs da NFL. Apesar da frustração, ganhei uma boa notícia enquanto acompanhava o jogo em um blog especializado onde consegui um site que transmitia qualquer tipo de partida possível. Logo, está garantida a transmissão da estréia do Corinthians no Campeonato Paulista ou no amistoso contra o Estudiantes. Quero ver o meu pique agüentar até a meia-noite daqui. Além, claro, de poder acompanhar inúmeras modalidades a qualquer momento do dia e, o melhor, ao vivo. O site, para os interessados, é www.atdhe.net.

Cheguei a escola na segunda-feira cansado pelo fim de semana e obtive motivos para melhora logo que começaram as aulas. Cada dia mais interessantes, sim sem nenhum tipo de demagogia, as coisas vão bem e o IELTS está me incentivando a me estudar. Além dos professores ajudarem muito, a minha avaliação de que o meu vocabulário se estendeu e as minhas conversas tem se tornado mais longas e interessantes são uma prova de que consigo me expressar melhor, entender melhor e até vislumbrar coisas melhores para esse futuro próximo que me assusta. Mas, o futuro mais que próxima me mostra Paris daqui dois dias. Vamos ver o que dá pra conhecer. Vamos ver se conheço desde a Torre Eiffel até Versailles. Quem sabe rola uma Eurodisney... Segunda-feira revelo como foi lá. Até, então, temos mais dois dias e um pouco para contar.

Trilha Sonora do Dia: Arctic Monkeys – Do Me a Favour: ‘Too heavy to hold will force you to be cold.’

14/01/09 - O Velho Reino da Dinamarca

Aqui estamos nós novamente! Não sei até que ponto foi sentida a minha falta nas postagens deste blog contando histórias de temperaturas congelantes ou do castelo do Harry Potter que não era nada mais do que uma modesta igreja em Oxford. Parando de enrolação e iniciando o que realmente interessa tentarei resumir ao máximo, sem perder qualidade, os meus últimos dias.

Iniciando pelo começo, como já diria um famoso ex-presidente do Corinthians, o sábado foi onde deixei de postar minhas aventuras. Então vou recordar aquela manhã absurdamente gelada na cidadezinha de Chatham. A viagem de ônibus demorou as exatas duas horas previstas e a chegada foi sob uma temperatura que beirava os -4 Celsius em plena luz do dia, dez da manhã. A partir dali fomos conhecer a cidade e o que ela mais tem a oferecer: a história de Charles Dickens. Para aqueles que não conhecer, Dickens foi um dos maiores escritores da história da Grã-Bretanha, sendo autor do clássico mais representado em todas as televisões na época de Natal e Novo Ano, Oliver Twist, além da história do famoso mágico David Copperfield. Ele, Charles, claro, viveu uma parte de sua vida aqui em Eastbourne e uma casa na chamada Old Town ostenta uma placa que reverencia a passagem do senhor Dickens pela animada e turística Eastbourne. Mas voltando à Chatham, lá fomos visitar um espaço que pode ser confundido entre espaço e teatro onde representa-se a história do supracitado Oliver. Mas a história não é simplesmente contada com atores, mas sim com o cenário idealizado por Dickens que compõe toda a história de Oliver Twist, um garoto que representa a astúcia e a superação perante as dificuldades e as mazelas da vida – pelo menos essa deve ter sido a intenção inicial do escritor. Depois disto tudo, aí sim num verdadeiro teatro, pode-se ter a incrível visão da vida de Charles Dickens sendo contada por bonecos de cera perfeitamente moldados com as características de alguns dos seus mais famosos personagens. Apesar do show ser um pouco desanimado, a qualidade da montagem dos bonecos e a sonorização são absurdamente acima da expectativa para uma atração cultural de uma cidadezinha. Voltar para Eastbourne foi sem dúvida a melhor escolha pois o frio voltava a apertar e o dia seguinte prometia ser bom. Prometia.

Acordei cedo. Cedíssimo. Às 6 da manhã de um domingo com temperaturas próximas das vistas no dia anterior, me agasalhei da melhor forma possível para agüentar o frio e a distância da viagem até Oxford, onde estaria em uma das cidades mais esperadas já que é lá onde acontece a vida educacional britânica e de onde saíram as melhores cabeças do Reino Unido, quisá do mundo. Desta vez o traslado foi rápido e demorou quase a metade do tempo previsto. Chegamos lá por volta das nove e meia quando muitos foram no McDonald’s e outros na Starbucks para tomar um café, segundo eles descente. Começamos a conhecer a cidade onde nada estava aberto e nenhum museu foi possível visitar. A expecatitiva de visitar a Christ Church, onde foram gravadas algumas cenas dos filmes do Harry Potter também foi frustrada inicialmente. Passamos então, duas horas e meia esperando por nada. Ou melhor, por um grupo de brasileiros que vinha de Cambridge para nos encontrar no templo da inteligência britânica. Ali vimos, aí sim, a tal da Christ Curch que de nada impressionou. A visão da sala comunal foi tão irreal e sem nexo como qualquer quadro abstrato onde não se vê nenhuma semelhança com aquilo que se conhece. Outro lugar esperado eram os campos internos da Igreja onde forma gravadas cenas das partidas de quadribol. Como dizem por aqui, rubbish. Nada de parecido. Nada que me fizesse colocar um foto no blog para que vocês tentassem reconhecer. O melhor mesmo era a Igreja que reunia muita história e muita beleza. Por isso, esta merece uma foto.


Depois de tanta lembrança em dois dias voltei para Eastbourne para passar os próximos estudando e foi isso mesmo que fiz, sem antes, claro, me frustrar com a derrota do NY Giants nos playoffs da NFL. Apesar da frustração, ganhei uma boa notícia enquanto acompanhava o jogo em um blog especializado onde consegui um site que transmitia qualquer tipo de partida possível. Logo, está garantida a transmissão da estréia do Corinthians no Campeonato Paulista ou no amistoso contra o Estudiantes. Quero ver o meu pique agüentar até a meia-noite daqui. Além, claro, de poder acompanhar inúmeras modalidades a qualquer momento do dia e, o melhor, ao vivo. O site, para os interessados, é www.atdhe.net.

Cheguei a escola na segunda-feira cansado pelo fim de semana e obtive motivos para melhora logo que começaram as aulas. Cada dia mais interessantes, sim sem nenhum tipo de demagogia, as coisas vão bem e o IELTS está me incentivando a me estudar. Além dos professores ajudarem muito, a minha avaliação de que o meu vocabulário se estendeu e as minhas conversas tem se tornado mais longas e interessantes são uma prova de que consigo me expressar melhor, entender melhor e até vislumbrar coisas melhores para esse futuro próximo que me assusta. Mas, o futuro mais que próxima me mostra Paris daqui dois dias. Vamos ver o que dá pra conhecer. Vamos ver se conheço desde a Torre Eiffel até Versailles. Quem sabe rola uma Eurodisney... Segunda-feira revelo como foi lá. Até, então, temos mais dois dias e um pouco para contar.

Trilha Sonora do Dia: Arctic Monkeys – Do Me a Favour: ‘Too heavy to hold will force you to be cold.’

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Atualizações atrasadas devido ao objetivo inicial: ESTUDAR!
Atualizações atrasadas devido ao objetivo inicial: ESTUDAR!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

09/01/09 - Hastings


Os dias vão se passando aqui na terra da rainha e eu pareço cada dia mais adaptado a esse tipo de vida, os modos e hábitos do povo de cá e já começo a pensar na possibilidade de não voltar – BRINCADEIRA! Mas a realidade é que as coisas andam muito boas por aqui, muito pela minha classe que é participativa e temos um professor, Llew, fantástico que além de contar todas as suas experiências está sempre disposto a nos ouvir e tirar todas as dúvidas possíveis e imagináveis. Sul-africano de nascimento e de coração, ele simplesmente parece não suportar o caminho que as coisas tomam aqui na Inglaterra e quer voltar o mais rápido possível para tua casa à beira do mar em Johanesburg.A vinda dos brasileiros para cá também só melhorou a minha relação e o modo como as coisas estão a correr pó aqui. Hoje, aliás, fui para Hastings, cidade turística próxima a Eastbourne.

O município de Hastings tem o mesmo tamanho da cidade em que estou hospedado com uma diferença: é puro morro. Sim, a cidade foi construída nas encostas e não é como Eastbourne que apesar de ter os seus declives cá e lá não inspira nenhum desafio andar pela cidade. Hastings, entretanto, tem escadas por toda a sua extensão que te levam do ponto mais baixo, rente ao mar, até o topo das montanhas. Não é tão alto assim, mas uma caminhada considerável pode ser gasta ali. Este quase condado também é muito conhecido por ser, de 1600 até hoje, um grande posto de recepção de contrabando. É o grande orgulho hastignianos (seria esta a denominação?) e em uma destas tabernas onde os piratas escondiam seus produtos contrabandeados, que iam desde gin até tabaco e ouro, fui hoje.

A localização é no alto das montanhas o que já sugere uma pergunta, no mínimo, intrigante: como eles moviam as grandes quantidades de muamba para o topo? Resposta não obtida e provavelmente não serei eu quem a responderei. As cavernas são interessantes com modelos impressionantes feitos em cera que representavam os indivíduos que ali ficavam escondidos. Alguns se mexiam, outros emitiam sons e todos pareciam representações fidedignas a realidade. O local guarda tanta história que foi preservado e transformado neste tipo de museu que cobra entrada e conta, entre suas lembranças, alguns documentos e objetos datados de três séculos atrás. Formatado para ser uma réplica das tabernas que compunham a cidade a tempos atrás, a Smuggling Cave cumpre bem sua função apesar da conservação não ser o ponto forte dos ingleses.

Saindo de lá descemos até a praia onde vi, próximos a areia, alguns pesqueiros completamente congelados, diferentemente do que poderia imaginar. Apesar do dia ter sido completamente de Sol, os lagos não descongelaram e a paisagem era magnífica, expondo o que o inverno e o inverno tem de mais belos. Os cariocas, após isto, foram torrar seus pences em diversões eletrônicas enquanto eu poupava dinheiro para minha ida à Oxford no domingo. Além de que, amanhã, vamos a Chathan, outra cidade pequena e desconhecida onde não faço a mínima idéia do que me espera.

Trilha Sonora do Dia: Justice – Let There Be Light (Não há letra, ouçam e ouçam atentamente. A música te envolve de forma impressionante).

09/01/09 - Hastings


Os dias vão se passando aqui na terra da rainha e eu pareço cada dia mais adaptado a esse tipo de vida, os modos e hábitos do povo de cá e já começo a pensar na possibilidade de não voltar – BRINCADEIRA! Mas a realidade é que as coisas andam muito boas por aqui, muito pela minha classe que é participativa e temos um professor, Llew, fantástico que além de contar todas as suas experiências está sempre disposto a nos ouvir e tirar todas as dúvidas possíveis e imagináveis. Sul-africano de nascimento e de coração, ele simplesmente parece não suportar o caminho que as coisas tomam aqui na Inglaterra e quer voltar o mais rápido possível para tua casa à beira do mar em Johanesburg.A vinda dos brasileiros para cá também só melhorou a minha relação e o modo como as coisas estão a correr pó aqui. Hoje, aliás, fui para Hastings, cidade turística próxima a Eastbourne.

O município de Hastings tem o mesmo tamanho da cidade em que estou hospedado com uma diferença: é puro morro. Sim, a cidade foi construída nas encostas e não é como Eastbourne que apesar de ter os seus declives cá e lá não inspira nenhum desafio andar pela cidade. Hastings, entretanto, tem escadas por toda a sua extensão que te levam do ponto mais baixo, rente ao mar, até o topo das montanhas. Não é tão alto assim, mas uma caminhada considerável pode ser gasta ali. Este quase condado também é muito conhecido por ser, de 1600 até hoje, um grande posto de recepção de contrabando. É o grande orgulho hastignianos (seria esta a denominação?) e em uma destas tabernas onde os piratas escondiam seus produtos contrabandeados, que iam desde gin até tabaco e ouro, fui hoje.

A localização é no alto das montanhas o que já sugere uma pergunta, no mínimo, intrigante: como eles moviam as grandes quantidades de muamba para o topo? Resposta não obtida e provavelmente não serei eu quem a responderei. As cavernas são interessantes com modelos impressionantes feitos em cera que representavam os indivíduos que ali ficavam escondidos. Alguns se mexiam, outros emitiam sons e todos pareciam representações fidedignas a realidade. O local guarda tanta história que foi preservado e transformado neste tipo de museu que cobra entrada e conta, entre suas lembranças, alguns documentos e objetos datados de três séculos atrás. Formatado para ser uma réplica das tabernas que compunham a cidade a tempos atrás, a Smuggling Cave cumpre bem sua função apesar da conservação não ser o ponto forte dos ingleses.

Saindo de lá descemos até a praia onde vi, próximos a areia, alguns pesqueiros completamente congelados, diferentemente do que poderia imaginar. Apesar do dia ter sido completamente de Sol, os lagos não descongelaram e a paisagem era magnífica, expondo o que o inverno e o inverno tem de mais belos. Os cariocas, após isto, foram torrar seus pences em diversões eletrônicas enquanto eu poupava dinheiro para minha ida à Oxford no domingo. Além de que, amanhã, vamos a Chathan, outra cidade pequena e desconhecida onde não faço a mínima idéia do que me espera.

Trilha Sonora do Dia: Justice – Let There Be Light (Não há letra, ouçam e ouçam atentamente. A música te envolve de forma impressionante).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

07/01/09 - The New Old Town

A semana começou com a grata surpresa da molecada carioca, além de duas meninas, uma paulista e outra mineira de Belo Horizonte, que me farão companhia até o fim do curso. Até aí tudo bem já que a chegada de brasileiros era esperada e as coisas, assim, melhoraram consideravelmente. Eu, que sempre tive um certo preconceito contra o pessoal da terra maravilhosa das balas perdidas, como diz um cronista de um famoso jornal esportivo, me acostumei e até gostei do jeito positivo e brincalhão dos fluminenses. As meninas são diferentes. Muito diferentes uma da outra, porém, com um
ponto em culpa entre ambas: pais poderosos.

A mineira chama-se Luana e leva consigo toda as qualidades que uma menina pode aparentar – literalmente. Não sei quanto ao pão de queijo já que, particularmente, não gosto, mas todo o sotaque impregnado em sua essência que faz ela parecer mais mineira. Seu pai, ah, este, basicamente, é prefeito de uma cidadezinha em Minas. Humilde, não? A paulista chama-se Nathália e, para surpresa minha, estuda também no Liceu! Mas, acalmem-se, é o Pasteur onde, desde seus primeiros anos, ela tem educação bilíngüe além da cidadania francesa. Seus pais são donos de uma consultoria e querem que ela faça faculdade aqui pois, para eles, é mais barato. Por vezes até me sinto meio estranho convivendo com tantas pessoas de posses. A cariocada não convém dizer aqui já que são inúmeros e não saberia distingui-los, um a um.

Entretanto, por mais que eles tenham seus almoços e passeios todos já pagos desde antes de sua chegada aqui na Inglaterra, existe um ponto falho na estadia dos cariocas aqui: eles são proibidos de ir ao pub! Mas, antes, vamos explicar a situação como ela realmente é. O pessoal do Rio de Janeiro veio em comboio com uma agência que tem como preferência Eastbourne e o enorme grupo, não sei por qual circunstância, ficou hospedado dentro da escola, algo que estava fora de meu alcance já que por ser maior de dezesseis anos deveria viver em uma casa de família. Até aí, uma menina dezessete e uma de dezenove estão no grupo carioca. Vai entender os ingleses. E, devido a esta comodidade de estar na escola, a noite, eles não podem sair. O que será melhor, ter suas cuecas e meias lavadas e poder almoçar sem desembolsar nenhum tostão sem conhecer o que de melhor os ingleses oferecem ou lavar suas roupas íntimas no chuveiro tendo que tirar do teu bolso se quiser almoçar na escola mas podendo ir e vir sem nenhuma restrição? A resposta é toda de vocês.

Ah, para finalizar, duas notas bem rápidas que ainda provam que estou estudando aqui. E mais até! Estou atendendo classes preparatórias para o IELTS, o exame que prova qual é o teu real nível de inglês sendo que, a nota mais alta possível é nove e os próprios professores já disseram que se eles, nativos, tirassem oito, teriam que se dar por muito contentes. Prova um pouco o nível do teste, não? Mas isso não quer dizer que farei a prova, o que provavelmente não farei mesmo. Estou nestas aulas apenas para melhorar meu inglês e me colocar em um nível mais avançado que o meu Upper-Intermediate. E domingo, para os interessados, irei a cidade de Oxford e, depois, ao castelo de Windsor onde, para quem não sabe – eu não sabia, foram gravados os filmes do Harry Potter. Interessante, não? Petrificus Totalis ou Wingardium Leviosa?

Trilha Sonora do Dia: Titãs (ou Roberto Carlos) – O Portão: ‘Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei e voltei!’

07/01/09 - The New Old Town

A semana começou com a grata surpresa da molecada carioca, além de duas meninas, uma paulista e outra mineira de Belo Horizonte, que me farão companhia até o fim do curso. Até aí tudo bem já que a chegada de brasileiros era esperada e as coisas, assim, melhoraram consideravelmente. Eu, que sempre tive um certo preconceito contra o pessoal da terra maravilhosa das balas perdidas, como diz um cronista de um famoso jornal esportivo, me acostumei e até gostei do jeito positivo e brincalhão dos fluminenses. As meninas são diferentes. Muito diferentes uma da outra, porém, com um
ponto em culpa entre ambas: pais poderosos.

A mineira chama-se Luana e leva consigo toda as qualidades que uma menina pode aparentar – literalmente. Não sei quanto ao pão de queijo já que, particularmente, não gosto, mas todo o sotaque impregnado em sua essência que faz ela parecer mais mineira. Seu pai, ah, este, basicamente, é prefeito de uma cidadezinha em Minas. Humilde, não? A paulista chama-se Nathália e, para surpresa minha, estuda também no Liceu! Mas, acalmem-se, é o Pasteur onde, desde seus primeiros anos, ela tem educação bilíngüe além da cidadania francesa. Seus pais são donos de uma consultoria e querem que ela faça faculdade aqui pois, para eles, é mais barato. Por vezes até me sinto meio estranho convivendo com tantas pessoas de posses. A cariocada não convém dizer aqui já que são inúmeros e não saberia distingui-los, um a um.

Entretanto, por mais que eles tenham seus almoços e passeios todos já pagos desde antes de sua chegada aqui na Inglaterra, existe um ponto falho na estadia dos cariocas aqui: eles são proibidos de ir ao pub! Mas, antes, vamos explicar a situação como ela realmente é. O pessoal do Rio de Janeiro veio em comboio com uma agência que tem como preferência Eastbourne e o enorme grupo, não sei por qual circunstância, ficou hospedado dentro da escola, algo que estava fora de meu alcance já que por ser maior de dezesseis anos deveria viver em uma casa de família. Até aí, uma menina dezessete e uma de dezenove estão no grupo carioca. Vai entender os ingleses. E, devido a esta comodidade de estar na escola, a noite, eles não podem sair. O que será melhor, ter suas cuecas e meias lavadas e poder almoçar sem desembolsar nenhum tostão sem conhecer o que de melhor os ingleses oferecem ou lavar suas roupas íntimas no chuveiro tendo que tirar do teu bolso se quiser almoçar na escola mas podendo ir e vir sem nenhuma restrição? A resposta é toda de vocês.

Ah, para finalizar, duas notas bem rápidas que ainda provam que estou estudando aqui. E mais até! Estou atendendo classes preparatórias para o IELTS, o exame que prova qual é o teu real nível de inglês sendo que, a nota mais alta possível é nove e os próprios professores já disseram que se eles, nativos, tirassem oito, teriam que se dar por muito contentes. Prova um pouco o nível do teste, não? Mas isso não quer dizer que farei a prova, o que provavelmente não farei mesmo. Estou nestas aulas apenas para melhorar meu inglês e me colocar em um nível mais avançado que o meu Upper-Intermediate. E domingo, para os interessados, irei a cidade de Oxford e, depois, ao castelo de Windsor onde, para quem não sabe – eu não sabia, foram gravados os filmes do Harry Potter. Interessante, não? Petrificus Totalis ou Wingardium Leviosa?

Trilha Sonora do Dia: Titãs (ou Roberto Carlos) – O Portão: ‘Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei e voltei!’