quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vergonha de Ser Homem

Nasci masculino. Não escolhi ser assim. Nasci. No encontro do espermatozoide com o óvulo calhou do meu sexo ser o do falo. Fui criado como homem, naturalmente. Sempre gostei de carrinhos, futebol e videogames. Heteronormativo. Beijei uma menina pela primeira vez aos 13 anos. Perdi minha virgindade com uma garota aos 16. E hoje, aos 21, um pouco mais escolado, o que não necessariamente quer dizer melhor, afirmo com todas as letras que tenho vergonha de ser homem. De carregar um pênis como meu órgão sexual.  Porque, sinceramente, não há nada mais nojento do que um homem.

Hoje minha namorada sofreu um abuso em um ônibus. Saindo de um shopping, indo para a faculdade, um homem, assim, sempre com H minúsculo, encostou nela. Bulinou. Se esfregou. O pênis rijo encostado, acariciando de forma nojenta, maldosa, inescrupulosa, uma Mulher, mais frágil, menor, mais baixa, menos forte, sem qualquer perdão. Escroto. Ela se afastava, ele continuava. Uma perseguição insana de um mundo mais inacreditável. No fim ela largou a bolsa com um rapaz e se afastou, indo para o fundo do ônibus até que o bandido – sim, bandido, pior que ladrão de galinhas, pior que assaltante de banco, pior que trombadinha – desistiu e logo desceu.

Isso é um relato pessoal, mas que poderia ser, mas poucas vezes o é, contado por milhares, senão milhões, de Mulheres todos os dias no Brasil. A sensação de impotência, de sujeira, de inutilidade que a Mulher passa a sentir quando algo desse gênero acontece, homem, deve ser indescritível. Eu não sei o que é isso e provavelmente nunca saberei. Elas sabem. Diariamente. Porque você, homem, se vê, e realmente acha, que está em posição de superioridade. Quem te disse isso? Quem te fez crer nisso? Por que faz isso?

O mundo absurdo no qual vivemos, e o qual foi construído há milhares de anos, é o responsável. Claro, mas só? E a mídia que expõe Mulheres enquanto produto consumível dia após dia, noite após noite, enquanto ser burro, que só se preocupa com beleza, com futilidades? E a religião que permite a ordenação única de homens de batina, de terno, colocando à Mulher a posição de subserviência e cuidado, quando não de meretriz, como a tal da Maria Madalena? E a política, que, mesmo com uma Mulher na presidência, é dirigida por homens dos piores tipos? E a empresa privada, incluindo muitas das quais conheço, que colocam as Mulheres como auxiliares administrativas, secretárias, recepcionistas, mas que se negam em levá-las a postos de alto poder corporativo, como gerências e diretorias, sob a justificativa de que elas têm “gênio irascível”, “TPM”, “descontroladas”?

Isso está em todas as esferas e não diferencia pobre de rico, analfabeto de doutor, branco de preto. Um homem se esfregou em minha companheira hoje em um ônibus. Amanhã poderá ser um rapaz numa balada cara de São Paulo que, ao vê-la recusar um beijo, força, agarra, beija contra a vontade; ou algum outro bípede que grita, profere palavras de baixo calão que vão do “gostosa” ao “quero te comer – você deve foder bem pra caralho” para “elogiá-la”. Eles realmente creem que isso é elogio? Esses são os homens que estupram, que batem, que agridem, que xingam e que fazem crer que o mundo é dos fortes.

Não, não é. Não deve ser. Não será. Porém, enquanto continuar sendo eu terei vergonha de ser homem.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Comunismo Capitalista

Retirado de Terra Invertia

Americana é a primeira mulher a ganhar Prêmio Nobel de Economia

'A americana Elinor Ostrom e o americano Oliver E. Williamson são os ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2009, por causa de suas análises sobre gestão econômica e os limites das empresas, informou nesta segunda-feira o Riksbank da Suécia.(...)'

Esse estudo poderia ter acontecido em meados de 2008, não ?
Mas, deixando a brincadeira de lado, o estudo fala, principalmente, sobre quais são os limites das empresas dentro de um mundo globalizado e como elas podem resolver os conflitos existentes em diversas partes do mundo. E mais, o estudo ainda quebra o paradgima de que propriedades comuns são má administradas. Ostrom provou que não é necessário ser uma empresa multinacional, megaestruturada com headquarter em New York para que saiba lidar com seus próprios recursos e ser sustentável. Seria este, enfim, o encontro de um modo de produção conjunto em que, o bem geral pode, sim, ser considerado rentável e adptado para este mundo das hiper-corporações ?

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Porque eu sei que é amor. Depois de quase sete meses, não consigo ter mais dúvidas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Meme e derivados

Eu não sabia o que era um meme até receber um. Recebi um da Gabi e esta, por sua vez, recebeu de uma amiga, a Anna, a quem os créditos desse Meme devem ser dedicados. O nome "Meme" não faço ideia de onde vem e o motivo dessa simplicidade e ao mesmo complexidade de nome, mas, basicamente, se refere a uma lista de determinada coisa que um blogueiro faz e passa para alguns blogueiros tentando disseminar informações sobre um mesmo tópico por diferentes pessoas. A Anna, quem não conheço mas agora fiquei extremamente interessado em contactar, fez esse ou repassou esse que está aqui embaixo relacionando inúmeros tópicos com livros. Esta é a minha lista.

Livro de Infância: Todos os livros da Série "Os Karas" de Pedro Bandeira

Personagem que queria ser: Dante na "Divina Comédia"

Primeiro livro enorme que lembra de ter lido: “A Divina Comédia” – Dante Alighieri

Filme que ficou melhor do que o livro: "O Pianista" biografia de Wladislaw Szpilman

Livro que te fez sonhar acordada (o): “Toma Sawyer” – Mark Twain

Livro que te fez chorar: "A Menina Que Roubava Livros" - Markus Zusak

Livro que te fez rir: “Comédias da Vida Privada” – Luís Fernando Veríssimo

Livro que mudou a sua vida: "A Divina Comédia". Por causa deste livro comecei a ler como um doido.

Livro que te causou dor: “Relações Perigosas" - Chordelos de Lacros

Livro de cabeceira: “A Divina Comédia - tá ficando chato, eu sei - "Os Trabalhadores do Mar" de Victor Hugo e "O Nome da Rosa" de Umberto Eco

Livro comercialzão: As séries "Harry Potter", os livros de Dan Brown

Querido escritor: Luis Fernando Veríssimo, Dante Alighieri e Victor Hugo

Sente vergonha por não ter lido: A lista é gigantesca mas, basicamente: "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Marquez, "Razão e Sensibilidade" de Jane Austen e "Morte e Vida Severina" de João Cabrla de Melo e Neto

Não suporta: "Diário da Princesa" e afins

Para os apaixonados: “A Divina Comédia" - Dante Alighieri. Eu falo que esse livro é perfeito! O cara atravessa o iferno, o purgatório e o céu para se encontrar com a amada pôxa.

Livro sensual: “O Perfume" - Patrick Süskind

Para quando quiser ficar feliz: “Para Gostar de Ler" - Coleção que reúne o melhor de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca e outros desse calibre.

Para quando faltar esperança: “Dom Quixote de La Mancha” – Miguel de Cervantes - Ele passa o livro inteiro lutando contra moinhos de vento e tentando conquistar a musa Dulcinéia.

Livro que ganhou e nunca leu e nem vai ler: Não sei...Eu ainda sonho em terminar de ler todos os livros que tenho em casa.

Para quando for preciso paciência: “Os Lusíadas" - Luís de Camões

Livro que comprou e nunca leu: “War and Peace" - Leo Tolstoy

Biografia: Adolf Hitler - O Führer

Para garotos: Fernando Sabino, quando se é moleque, tem uma linguagem atraente e que eu me identifiquei logo de cara.

Difícil: “Agosto" - Rubens Fonseca

Para quem gosta de escrever: Platão

Leitura de teatro: “Cyrano de Bergerac" - Edmond Rostand

Conto gostoso de ler: “Pôker Interminável" - Luís Fernando Veríssimo

Não conseguiu terminar: “A Cidade e as Serras" - Eça de Queirós

Está na fila: “Vidas Secas" - Graciliano Ramos, "Os Sertões" - Euclides da Cunha

Livro que daria de presente: É impossível dar um livro sem conhecer a pessoa a quem se dá o livro.

Pérola encontrada nos sebos: A biografia de Charlie Chaplin - 'The Little Tramp"

O que está lendo agora: “Crime e Castigo” – Fiódor Dostoiévski

Eu repassarei esse Meme pro Otávio e pro Lucas. Vamos ver no que dá. Agora, me deu vontade de criar um Meme daquilo que entendo um pouquinho, se sair nos próximos dias, publico aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A volta dos que não foram


E, contra o Náutico no Recife, ela estará de volta. A fase já não está ajudando e ainda vem com essas...

Quando muito é pouco

O ano inteiro vinha desejando férias já que não as tive no fim do ano devido a ida à Inglaterra - não, não fui lá para descansar e nem consegui - e precisava de um descanso depois daquele semestre massacrante cheio de provas, trabalhos, compromissos, cursinho e afins. A pausa chegou e não vai embora. Depois de duas semanas já não conseguia mais suportar a relação tediosa baseada na televisão-livros-estudo-computador.

As aulas reiniciaram e logo no primeiro dia percebi que não eram as férias, mas o contexto todo que me colocava naquele sentimento ranhoso e um tanto quanto modorrento do não querer fazer nada misturado com a inquietação de alguém que procura algo mas não sabe o quê. Agora, penso que sei: um emprego, um pouco de dinheiro, algo para me diferenciar e me destacar. Mudar para qualquer lugar que seja.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A saudade que dá

O fim de férias e o clima gelado me fazem lembrar de um passado que não volta mais. A saudade de uma casa que nunca foi minha e de uma família que não era de verdade. A vontade de uma cidade que não era bela, mas atraía e chamava. De uma vida que era o meu conto de fadas.

Sempre sonhei com a Inglaterra. Sonho. Nunca acreditei nisso, mas quando pisei no Aeroporto de Heathrow senti aquela sensação estranha de realização misturada com medo, este último agravado pela censura na imigração. Mas, com o passar do tempo, a diminuição do temor e a adaptação à saudade me fizeram sentir cada vez mais em casa anquela cidadezinha litorânea que nada tinha a ver comigo, sempre com o desejo da espera pelo jantar ou pela procura, em um dia esporádico da semana, de um pub aberto que transmitisse qualquer evento pela Skysports ou pela falida Setanta. Ainda, nas noites gélidas que eu saía de casa com a roupa de dormir e me encaminhava ao posto telefônico na esquina para dar um alô para casa e ia dar uma volta pelo bairro.

Tudo isso passou infelizmente. Não sei se soube aproveitar cem por cento. Melhor, sei e não soube. Mas, faz diferença? Agora não. Só é estranho sentir saudade de algo que nunca foi realmente seu.